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Green Bay Packers é o único time da NFL que não visa Lucro

O Senado Federal voltou a analisar a criação da Sociedade Anônima do Futebol, um novo modelo de clube-empresa no futebol brasileiro. O autor do projeto é o próprio presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O modelo proposto apresenta a opção facultativa aos clubes de se transformarem em clube-empresa.

O modelo em discussão no Brasil já existe há muito tempo na Europa, principalmente entre os clubes ingleses. Entretanto, nas últimas duas décadas, tradicionais clubes do continente foram adquiridos por milionários de diversas partes do mundo. Real Madrid e Barcelona, na Espanha, estão entre as poucas exceções.

A prática de sociedades anônimas no esporte profissional é levada ao extremo nos Estados Unidos. Tanto que times de basquete da National Football League (NBA) e do futebol americano da National Football League (NFL), os mais populares nos EUA, são tratados como franquias. Mudam de donos e de cidades conforme o interesse financeiro. Milionários compram times nas ligas como quem compra um carro novo.

Mas nesse agressivo mundo capitalista no esporte norte-americano há uma exceção. É o Green Bay Packers, time profissional de futebol americano baseado na pequena cidade de Green Bay, no estado de Wisconsin. O time fundado em 1919 disputa a NFL e é o único da liga principal que não tem fins lucrativos e que pertencente à comunidade. Sim, é isso mesmo. Diferentemente das demais equipes profissionais, o Packers pertence a cidadãos comuns de classe média da cidade, e não a um dono ou empresa. Atualmente, pouco mais de 361 mil pessoas são donas do time.

Sociedade Anônima do Futebol
Modelo de negócio do Green Bay Packers vai na contramão dos demais integrantes da NFL. (Foto: TE Robert Tonyan/packers.com)

O modelo de negócio do Packers vai na contramão dos demais integrantes da NFL, que arrecadam milhões de dólares, constroem arenas modernas e estão entre os que mais arrecadam na prestigiosa lista da revista Forbes.

Por não ter um dono, o Packers tem intima ligação com os seus torcedores e por isso nunca precisou sair Green Bay, que tem pouco mais de 100 mil habitantes. Nem por isso a equipe deixou de ganhar torcedores em Wisconsin e de outras partes dos EUA.

Modelo de negócio do Green Bay Packers vai na contramão dos demais integrantes da NFL. (Foto: TE Robert Tonyan/packers.com)
Green Bay Packers venceu 13 campeonatos da NFL e tem quatro vitórias no Super Bowl. (Foto: TE Robert Tonyan/packers.com)

Para garantir que o time nunca tivesse que sair de Green Bay, constava na ata de fundação que os acionistas não teriam vantagens financeiras e se um dia o time fosse vendido, após a quitação das dívidas, o dinheiro restante deveria ir para o Sullivan Post of the American Legion para a construção de um memorial para soldados. Posteriormente, em 1997, os acionistas votaram para a mudança do beneficiário, que passou a ser o Green Bay Packers Foundation, que faz doações para diversas instituições de caridade no estado.

De tempos em tempos o Packers realiza venda de ações para levantar fundos para a equipe. Em cada uma delas, dezenas de milhões de dólares são arrecadados.

Os acionistas têm direitos de voto, nunca recebem dividendos e nem privilégio na compra de ingressos. Para evitar que um sócio com maioria das ações torne-se dono do time, nenhum deles pode ter mais que 200 mil quota-parte. Para administrar a organização, os acionistas elegem uma equipe de direção.

Regras rígidas da NFL garantem a competitividade do Packers. Na liga há um sistema de divisão de lucros iguais entre as franquias, além de teto salarial dos jogadores e limite na contratação de novos atletas.

E embora Green Bay seja o menor mercado esportivo profissional da América do Norte, o Packers venceu 13 campeonatos da NFL com nove títulos pré-Super Bowl e quatro vitórias no Super Bowl (1967, 1968, 1996 e 2010).


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Eis um exemplo de como os torcedores podem ajudar seus times de coração e manter as tradições. Enquanto isso, no Brasil, ainda se discutem formas de fazer vaquinhas para ajudar clubes a pagar imensas dividas geradas por má gestão.

Roberto Maia é jornalista, cronista esportivo, editor de revista Qual Viagem e do portal Travelpedia.

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