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Novo Pacaembu vem aí, o velho Pacaembu resurgirá como um complexo multiuso e democrático

O novo Pacaembu vem aí! Na última terça-feira, dia 29, o que mais se viu nas mídias sociais foram as imagens das retroescavadeiras iniciando a demolição do tobogã, a arquibancada atrás de um dos gols do velho estádio Paulo Machado de Carvalho, o querido Pacaembu. Ícone da história da cidade de São Paulo, inaugurado em 1940, não faltaram lamentos pela demolição. Normal, afinal nos seus 81 anos, ele recebeu milhões de torcedores em jogos dos clubes paulistas e também da Seleção Brasileira.

Uma amiga corinthiana me enviou mensagem criticando a iniciativa e dizendo que não respeitaram a história do velho estádio e que a mudança certamente será para pior. Não concordo com ela. Após a inauguração da moderna arena do Corinthians em Itaquera, o Pacaembu ficou ocioso, quase abandonado. Afinal, o Timão quem mais utilizava o estádio para seus jogos por não ter a sua casa própria.

novo Pacaembu
Tombado em 1998 pelo Condephaat, as obras de modernização do Pacaembu terão que preservar apenas a sua imponente e histórica fachada. (Foto: Governo do Estado de SP/Divulgação)

O próprio Corinthians e os demais clubes de São Paulo, mais o Santos, ainda mandaram um ou outro jogo no Pacaembu. Muito pouco para o que o estádio sempre representou para a cidade. Entendo que se não houvesse a privatização o destino do Paulo Machado de Carvalho seria triste, melancólico. Ele certamente seria relegado a um processo lento e doloroso de deterioração. Não vejo porque o governo continuaria investindo na sua manutenção se os jogos não mais são realizados no local.

Minha lembrança mais antiga do velho estádio remonta da segunda metade da década de 1960, quando eu, ainda criança, fui levado por meu pai para assistir a um jogo de futebol. Ainda existia a charmosa concha acústica, que depois deu lugar à esquisita arquibancada que logo ganhou o apelido de tobogã.

O recorde oficial de público no Pacaembu aconteceu no dia 25 de maio de 1942, quando 72.018 pessoas assistiram ao empate de 3 a 3 entre o Corinthians e o São Paulo.

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A Allegra Pacaembu investirá cerca de R$ 400 milhões para entregar um Novo Pacaembu restaurado e modernizado. (Foto: Reprodução site pacaembuoficial.com.br)

Tombado em 1998 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), as obras de modernização terão que preservar apenas a sua fachada imponente e histórica. O Museu do Futebol, instalado em uma área de 6,9 mil metros quadrados sob as arquibancadas, continua funcionando no local. Já no lugar do tobogã será erguido um moderno edifício comercial.

Pelos próximos 35 anos, a gestão do complexo esportivo estará nas mãos da Allegra Pacaembu, concessionária que investirá cerca de R$ 400 milhões no local. Sua proposta é entregar, daqui a 28 meses, um equipamento totalmente restaurado e modernizado, respeitando sua história e amplificando seu significado. O projeto prevê reabrir o Pacaembu para os paulistanos, mais democrático e inclusivo como um espaço de convivência, de serviços, esporte, lazer e cultura.

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No local do tobogã será erguido um moderno prédio de 5 andares e 4 subsolos, que irá abrigar um Centro de Convenções, estacionamento, praça de convivência, restaurantes, cafés, serviços e um espaço ao ar livre com vista para o gramado. (Foto: Reprodução site pacaembuoficial.com.br)

Se o projeto for seguido à risca, o Pacaembu renascerá como o mais completo complexo multiuso do Brasil. Serão construídos 44 mil metros quadrados de novas áreas e o funcionamento será de 24 horas por dia, sete dias por semana durante todo o ano.

Sem dúvida será um importante polo de entretenimento, esporte e lazer para a população. Onde antes só íamos em dias de jogos de futebol poderemos frequentar por diferentes motivos. Seja para praticar esporte, assistir a um show, tomar um café ou um drinque com os amigos ou até como local de trabalho.

O querido Pacaembu merece esse destino amplificado e importante para a cidade de São Paulo. Seria deprimente passar em frente ao estádio e vê-lo abandonado e sem vida.

Roberto Maia é jornalista, cronista esportivo, editor de revista Qual Viagem e do portal Travelpedia.

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